Cotidiano.

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Você  acorda, toma café

Pede que o dia seja o que Deus quiser

Toma então, o meio de transporte

Ele te carrega, e você carrega fé.

 

Daí  come, anda, fala, respira

Intervalo, produção, percepção;

Muitas informações sendo digeridas,

Estômago, cabeça e coração.

 

Retorno pra casa, entre o ofício e o ócio

Entre tanto cansaço, e tanta gratidão

Seu lugar, seu corpo e sua cabeça

Necessitam de organização.

 

Depois de tudo, um descanso

E aí que para pra pensar

Nas pequenas delicadezas

Que lhe estão a atravessar.

 

O dia é um conjunto de coisas

Que poderiam muito bem não dar certo,

Mas – não por acaso – as coisas acontecem

Para seguir o seu caminho, tão liberto.

 

Cara eu mesma:

Às vezes a gente se esforça

Para caber no molde alheio.

Sai correndo em busca de si,

Se perde no próprio devaneio.

 

Às vezes, a gente se esforça

E tenta andar outros caminhos

Esquece que, nessa estrada

Nós nunca estamos sozinhos.

Quem nos protege não dorme,

E ajuda com nossos espinhos.

 

Às vezes, a gente se esforça

Até se esgotar de verdade

Fazendo o que nos é tão próprio:

Achar nossa identidade.

Se andamos com o sapato alheio,

Do caminho perdemos metade.

Cara eu mesma

A sua poesia.

Moça,
Recupera a poesia que tinha
Recupera o olhar de esperança.
Sei que na mulher que se esforça
Há a menina que dança.

Que horas você abre esse coração
E entende que a vida é um eterno ensinar?
Ninguém nasce sabendo viver,
E pede a Deus para ensinar.

Quanto tempo levo para perceber
Que o que falta pra ti, menina
É viver?

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Girassol

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Venho crescendo
E tentando achar meu lugar.
Venho crescendo
Entendendo o motivo de estar aqui
E procurando mostrar.

Eu “tô” crescendo
Virando a soma do que fui
E serei
Dos livros que eu li,
Dos filmes que verei.

Vim, mas não pra fazer brincadeira
Mas pra fazer diferença
Venho entendendo
E é cada vez maior a minha crença de que

Eu “tô” crescendo
Virando a soma do que eu fui
E serei
A quem quiser saber,
Sou bem orgulhosa
Da mulher que venho me esforçando pra ser.

(Você – que tá lendo isso – também deve ser, não deixe que lhe digam que não 🙂 )

E esse papel?

E esse papel - I

Eu estava pensando: gosto de escrever. Escrever mesmo, pegar papel e caneta e anotar as ideias, tenho uma mania um pouco careta com relação a isso, pois minhas ideias saem todas de cadernos, de agendas, de folhas soltas. Eu preciso nem que seja de um rascunho pra me dar um norte do que eu vou falar no blog, nos artigos da faculdade, na carta do meu namorado ou na vida.

Estes dias, isso tem me causado uma certa inquietude no sentido de que eu não sei até que ponto nós deixamos de usar letras de forma para usar letras formatadas. Não que o digital seja ruim, pelo contrário! Há muito mais de um ano escrevo em um site e não tem nada que eu goste mais, ainda que não saiba o que falar às vezes.

Deixa eu ver se consigo me fazer entender: ao mesmo tempo que gosto do jeito que tudo fica ajeitadinho aqui no computador, com a formatação correta e um bom layout, gosto de escrever diários, cartas e imaginar a reação do outro – ou mesmo a minha – ao deparar com elas. Perceber a evolução do teor do conteúdo e da curva da letrinha e gostar do caderno com linhas tanto quanto gosta do pdf baixado. É isso. Esse equilíbrio bambo entre a escrita à moda antiga, e o que anda em alta no mundo online por aí.

Esse texto é um desabafo do que foi essa última semana, de muita digitação e escrita. De dados coletados e vividos, eu precisei escrever pra ter dimensão do que me aconteceu; minha inquietude é pedir que fique entre nós, eu, o papel e a tela para a qual estou digitando.

os dias de hoje.

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O mundo anda rápido,

Pessoas têm o pé no acelerador

Informações são jogadas

Com ares de corredor.

 

É preciso escrever e falar,

Alimentar o ego

Produzir e pensar

E agora, que me nego?

 

Temos que parar

Planejar, se esforçar e chegar.

Aonde não temos nem ideia,

De chegando, como continuar.

 

E diante disso, os artistas:

Desprovidos de toda noção,

Retratam para o mundo inteiro

O que lhes arrebata o coração.

Provando que arte é sim,

Um fôlego novo; é inspiração.

 

 

Rabiscos.

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Eu não sei, eu sei não

O que esperar, quando desespero.

Venho aqui, tentando escrever

E meus pensamentos seguem, dançando bolero.

 

A métrica dita o compasso das palavras

Que escrevo hoje, com tanto sentimento

Carregar de um sentido novo

Não sendo riso de alegria,

Nem choro de lamento.

 

Apenas um livro inteiro na minha frente

Uma história aqui para ser construída;

Mas eu não desanimo

Estou mais longe que a linha de partida.

 

Nossa história é um “era uma vez”,

No qual cabe a nós uma continuação

Mas não desanimo

Onde eu estou

Está comigo meu coração.